Sei que as pessoas podem mudar, que eu posso mudar. Tornar-me uma pessoa melhor do que já fui. Ser menos contraído, mais leve, mais apreciado pelas mulheres. Mas essa é a vida que eu escolhi. Não por não querer mudar, mas por não saber ser diferente. Não consigo deixar a mulher perfeita sair de minha imaginação. Não consigo ser frio, seco, desinteressado com o sexo oposto. Por isso e por muito menos perdi mulheres maravilhosas. E isso antes mesmo de conseguir conquistá-las. Utopia.
Em minha própria adolescência já me mostrava como um cara diferente daqueles que eu conhecia. Tinha em minha mente uma pessoa apenas. Que me machucou. Muito. Perdi a esperança. E perder a esperança é algo muito, mas muito perigoso. As cicatrizes ainda estão em mim. Mas o tempo cura tudo, certo? Bom, em parte, sim. Mas as lembranças ainda são dolorosas.
Já mais calejado com os anos de desapontamentos acreditei que tinha melhorado. Inocência pura. E dessa vez quem teve que machucar, magoar, despedaçar o coração de alguém, fui eu. Costumo dizer que, no momento que terminei esse relacionamento, pude ver em seus olhos o coração se despedaçando. Esperei ela ir embora e então chorei. Por horas. Noite adentro. Foi um dos sentimentos mais destrutivos que vivenciei. Uma coisa é você sentir dor. Muito pior é fazer outra pessoa sofrer. E por você. Passei meses me perguntando o porquê. Até hoje quando lembro desse momento, meus olhos se enchem de lágrimas.
E hoje vivo enclausurado em meu quarto. Com medo da escuridão, medo de minha mente. O que pode acontecer daqui para frente? Música ajuda a passar o tempo. Escrever ajuda a retirar um a um os medos de minha alma. O trabalho ajuda a tirar da mente essas dores. Mas é um processo penoso. Dolorido. Perverso até.
Para piorar, quando parece surgir alguém que possa estar remotamente interessada em mim acabo cometendo os mesmos erros de tempos mais inexperientes. Falo demais, demonstro fraqueza, insegurança. E que mulher quer isso em um homem?
Tenho que crescer espiritualmente. Deixar os tombos da vida me ensinarem. E preciso aprender a aprender. O que é o mais difícil. Maldita ironia poética.
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