A primeira jornada é lenta, com chuvas torrenciais
A segunda jornada é dolorida, com sol sem nuvem
O deserto não perdoa. O mar responde com outra moeda
E assim o mundo vai mostrando sua face
Quando nada parece clarear
E tudo é apenas um monte de nada
É quando você descobre o que faz aqui
Qual o seu papel nesse mundo apodrecido
Por pessoas que não sabem o que é sentir
Por pessoas que não têm amor em suas almas
Por crianças puras, que pouco a pouco
Minuto a minuto se tornam estragadas
Por senhores coronéis que te matam
E depois servem sua ingenuidade
Como um prato frio e sem sabor
É um mundo onde não quero mais morar
Não quero mais respirar seu ar imundo
Assistir maldades com animais tolos
Tolos demais por acreditarem em humanos.
Não quero mais ouvir o quanto o amor é bom
Quando você não tem noção se um dia sequer
Chegou a ter um sentimento próximo a isso.
Paixão é pretensiosa. Amor subvalorizado
Uma paz que não existe mais em mim
Um coquetel de sentimentos obscuros
Onde amor e luxúria são a mesma coisa
E o ódio e o sangue não deixam de ser
Aquilo que todos parecem querer
Olhos que vêm embaçado.
Uma mente preguiçosa
Que se recusa a te tirar da cama
Onde reside o pavor da realidade
Que nunca é como sonhamos um dia
Que nunca vai nem chegar perto da plenitude
Que apenas vai sumindo no horizonte
Enquanto o cachorro corre atrás do osso
Deixo minha alma encostada, no cabide
Para quando e se estiver pronto, vesti-la
E voltar a ser uma sombra do que já fui um dia
Amar é dizer nunca... eternizar a esperança
Sorrio para a hipótese... tolice incurável
E depois de tanto deixar jorrar imperfeição
Em um papel digital que nunca sentiu uma tinta
Deixo aqui a porta aberta. Possibilidades.
Aparecendo ou não, estarei aqui.
Pronto, nunca preparado.
Por Dom Schulz
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